Diferente do modelo da Microsoft, que te aluga os jogos junto com o hardware, concorrentes como NVIDIA e Boosteroid apostam no modelo BYOG. Você compra o jogo na Steam ou Epic Games, e "aluga" apenas o PC para rodá-lo.

NVIDIA GeForce Now

Operado no Brasil pela parceira ABYA. É a referência visual, oferecendo Ray Tracing e suporte a DLSS.

RTX On Steam Integration ABYA Managed
  • Vantagem: Roda em PCs e Macs antigos com qualidade ultra.
  • Problema: Filas longas no plano gratuito e preços altos nos planos prioritários devido à terceirização.
Boosteroid

A "terceira via". Chegou com força em 2025 estabelecendo servidores locais no Brasil, reduzindo drasticamente a latência.

Navegador/App Servidor BR Biblioteca Vasta
  • Vantagem: Acesso direto via navegador e suporte a títulos que muitas vezes saem do GFN.
  • Problema: Interface menos polida que os gigantes e compressão de vídeo mais agressiva.

O limbo jurídico do licenciamento

O maior inimigo do Cloud Gaming no Brasil não é o ping, é o advogado. No modelo BYOG, você "possui" o jogo na Steam, mas a licença de uso (EULA) muitas vezes proíbe a execução em máquinas virtuais de terceiros.

Isso cria uma fragmentação insana. Jogos da Sony ou da Capcom podem estar disponíveis no Boosteroid hoje e serem removidos amanhã por uma notificação judicial. É uma insegurança jurídica que impede que esses serviços decolem massivamente como a "Netflix dos Games". A fragmentação obriga o usuário hardcore a assinar múltiplos serviços.

Para montar um servidor de Cloud Gaming, não basta um processador Xeon. São necessárias milhares de GPUs de classe empresarial (como as NVIDIA A10 ou H100). Importar esse hardware para o Brasil envolve uma carga tributária que, muitas vezes, dobra o custo do investimento inicial.

Isso explica por que empresas como a NVIDIA optam por parceiros locais (como a ABYA) em vez de operar diretamente. Elas transferem o risco e o custo da infraestrutura tropicalizada para terceiros. O resultado? Preços de assinatura descolados da realidade do salário mínimo e capacidade de servidor limitada, gerando as famosas "filas de espera" de 400 pessoas nas noites de sexta-feira.

Deixando o marketing de lado, como esses serviços se comportam na "selva" da internet brasileira?

Serviço Modelo Latência Média (SP) Barreira de Entrada
GeForce Now (ABYA) BYOG (Traz seu jogo) 15-25ms Alta (Preço da Assinatura + Preço do Jogo)
Boosteroid BYOG 20-30ms Média (Foco em Web/Acessibilidade)
Ubisoft+ Híbrido/Catálogo Depende do Parceiro Variável (Foco em ecossistema próprio)

A visão de longo prazo de executivos como Bertrand Chaverot (Ubisoft) é que o conceito de "plataforma" desapareça. No futuro, você não será um "usuário de Xbox" ou "usuário de PlayStation", mas um membro de comunidades de jogos (como Rainbow Six ou Roblox) que rodam em qualquer lugar.

Porém, para isso acontecer no Brasil, precisamos superar o gargalo da última milha. Não adianta o servidor da Boosteroid em São Paulo ser rápido se a rota da sua operadora local até lá passa por caminhos ineficientes. A estabilidade da conexão residencial (jitter e packet loss) continua sendo o "chefe final" que nenhuma empresa de software conseguiu derrotar totalmente.