Antes da Realidade Virtual tentar nos colocar literalmente dentro dos jogos, a estratégia era trazer um pedaço físico do jogo para a nossa sala de estar. O resultado foi uma enxurrada de joysticks que mais pareciam adereços de filmes de Hollywood. Muitos deles foram fiascos comerciais, difíceis de guardar e péssimos de jogar. Contudo, o tempo é o melhor curador da história: o que antes era considerado um "trambolho" hoje figura nas listas de itens mais desejados (e caros) por colecionadores no mundo todo.
A busca pela imersão tátil extrema
A ideia por trás desses controles era louvável: romper a barreira entre o jogador e a tela. Se você estava jogando um simulador de mechas gigantes, por que usar um controle comum de Xbox? Se você precisava sobreviver a uma horda de Ganados no interior da Espanha, por que não segurar a arma mais letal do jogo em suas mãos?
Abaixo, listamos os artefatos mais infames dessa era esquecida do design de hardware. Peças que desafiam a lógica, a ergonomia e, muitas vezes, o bom senso.
Os Titãs de Plástico
Para compreender a loucura dessa época, precisamos analisar as peças mais notórias que ainda assombram os leilões online na internet:
Lançado para Nintendo GameCube e PlayStation 2 pela NubyTech, este controle é uma réplica grotesca (e manchada de sangue falso) da serra elétrica usada pelo Dr. Salvador em RE4. Ele vinha em uma caixa de colecionador lindíssima. O detalhe mais insano? Você precisava puxar a cordinha de arranque da motosserra para iniciar o jogo ou pausar.
A ergonomia é um pesadelo absoluto. Os botões estão espalhados em posições terríveis, tornando jogar qualquer coisa com ele um teste de paciência. Porém, como item de exibição, é insuperável. Hoje, unidades completas na caixa são negociadas por centenas (às vezes milhares) de dólares.
Focado nos jogadores de FPS no PlayStation 3 e PC, o AK Striker era um controle moldado inteiramente no formato de um fuzil de assalto realista. Ele possuía todos os botões do DualShock mapeados no corpo da arma, com o gatilho principal funcionando como o R1/R2 para atirar no jogo.
Apareceu em uma época em que jogos como Call of Duty e Battlefield dominavam o mercado. Embora trouxesse uma imersão tática para quem sonhava em ter um arcade de tiro em casa, o peso e a imprecisão dos analógicos (geralmente posicionados perto do pente de munição e da empunhadura) limitavam seu uso competitivo. Tornou-se um clássico cult entre fãs de militaria.
Criado exclusivamente para o jogo Steel Battalion do primeiro Xbox (2002). Não era um controle, era um painel de comando. Contava com 40 botões iluminados, dois joysticks, uma alavanca de aceleração, seletor de rádio e três pedais (acelerador, freio e esquiva). Custava assustadores $200 dólares no lançamento — preço de um console na época.
O jogo era implacável: se o seu mecha estivesse sendo destruído e você não apertasse o botão físico de "Ejetar" sob uma tampa de acrílico no controle a tempo, o jogo apagava o seu save permanentemente. A experiência de ligar as chaves de ignição em sequência é, até hoje, considerada o ápice da simulação de robôs gigantes.
A ASCII pegou um controle perfeitamente bom de Nintendo GameCube, serrou ao meio e enxertou um teclado alfanumérico completo no centro. O resultado foi um monstro plástico quase do tamanho do próprio console.
Lançado primariamente para que os jogadores de Phantasy Star Online Episodes I & II pudessem conversar no chat sem precisar largar o controle para digitar. Visualmente hilário, surpreendentemente confortável para jogadores com mãos grandes, e hoje um dos itens mais raros da biblioteca de hardware da Nintendo.
O Charme do Plástico Inconveniente
O mercado de games amadureceu e se padronizou. Com a ascensão do multiplayer competitivo e dos eSports, a eficiência e o tempo de resposta superaram o fator "novidade" dos periféricos. Ninguém quer jogar uma partida ranqueada usando uma motosserra de plástico.
No entanto, olhar para esses controles é como olhar para as barbatanas cromadas dos carros dos anos 1950. Eles representam uma visão otimista, lúdica e um pouco inconsequente do futuro do entretenimento. Eles nos lembram que o ato de jogar videogame também tem muito a ver com brinquedos tangíveis. Se você encontrar um desses em um mercado de pulgas ou escondido no sótão, não jogue fora. Você pode estar segurando um pedaço da história — e um bom dinheiro.