Para entender o preço de uma RTX 5060 na prateleira, precisamos olhar para as fábricas de wafers em Taiwan e Coreia do Sul. O cenário é desolador para o consumidor doméstico.
As memórias RAM e VRAM agora valem ouro. O mercado é dominado por um triunvirato: Samsung, SK Hynix e Micron. Em 2026, essas empresas tomaram uma decisão executiva fria e calculista: segurar a produção.
- O Caso Crucial: A Micron chocou o mundo ao anunciar o fim da linha Crucial para consumidores. Estamos falando de 30 anos de história encerrados. O motivo? Eles precisam de 100% da capacidade fabril para memória de servidores de IA.
- O "Gargalo" Físico: Fabricar chips de IA (como as memórias HBM) consome 3 vezes mais espaço físico em um wafer de silício do que memórias GDDR tradicionais. Ou seja, para cada chip de IA feito, deixam de ser fabricados três chips para gamers.
- A Escassez Programada: A Samsung também reduziu a produção para manter margens altas. Não é que falte matéria-prima; falta vontade de vender barato.
A escassez de memória GDDR7 e GDDR6 significa que placas com muita VRAM (16GB+) terão um aumento de preço desproporcional. Usuários estão recorrendo a gambiarras, como adaptadores de memória de notebook (SODIMM) em desktops, numa tentativa desesperada de fugir dos preços.
A Nvidia detém 92% do mercado de GPUs. Isso é um monopólio de fato. Rumores confirmados indicam que a empresa cortou a produção da linha GeForce em 30% a 40% para 2026.
A lógica é simples: Por que vender uma RTX 5090 por US$ 2.000 se eles podem usar o mesmo espaço na fábrica da TSMC para fazer um chip H100 de IA e vendê-lo por US$ 30.000? O gamer se tornou um cliente de "segunda classe". Além disso, as máquinas de litografia EUV da ASML (que custam 200 milhões de euros cada) são finitas. Apple, AMD, Intel e Nvidia brigam pelas mesmas máquinas.
Apesar da crise, a engenharia não parou. 2026 marca a estreia comercial em larga escala da memória GDDR7 e da resposta da AMD ao DLSS.
GDDR7 & Blackwell
A nova geração RTX 50 (Blackwell) aposta tudo na memória GDDR7. O salto de largura de banda é brutal, permitindo que placas com barramentos "estreitos" (como 128-bit) tenham performance aceitável.
A RTX 5090, por exemplo, utiliza GDDR7 em um barramento de 512 bits, algo que não víamos há anos, permitindo resoluções insanas como 8K a 165Hz ou 4K a 480Hz.
FSR Redstone
A AMD finalmente admitiu que "força bruta" não vence o DLSS. O novo FSR Redstone é exclusivo das placas Radeon RX 9000 (RDNA 4).
O destaque é o Ray Regeneration. Usando IA (Machine Learning), a placa "infere" e restaura raios de luz a partir de amostras esparsas. É a primeira vez que a AMD tem uma resposta real para a qualidade de imagem do Ray Tracing da Nvidia.
Se você tem o orçamento de um pequeno país, estas são as opções. Aqui, o custo-benefício é irrelevante; o que importa é o poder absoluto.
NVIDIA GeForce RTX 5090
Arquitetura Blackwell | FlagshipÉ um monstro. Com capacidade para 4 monitores simultâneos e renderização neural completa, esta placa não é para jogar apenas; é para criar universos. O consumo de 575W exige uma usina nuclear em casa, mas entrega performance sem rival.
NVIDIA GeForce RTX 5080
O "Racional" do LuxoPara quem quer o máximo pagando "menos". A perda de metade da VRAM (vs 5090) e do barramento é sentida em 8K, mas para 4K Ultra, ela sobra. Mantém todas as tecnologias (Reflex, G-Sync, DLSS 4) por metade do preço da irmã maior.
AMD Radeon RX 7900 XTX
A Resistência VermelhaRivaliza com a antiga RTX 4090 em força bruta. Seu trunfo são os 24GB de VRAM, muito superiores aos 16GB da 5080 e 4080, garantindo longevidade em texturas 4K. Porém, sem o novo hardware de IA da série 9000, ela fica de fora do FSR Redstone completo.
Aqui é onde a guerra é vencida. Analisamos os dados de "Performance por Dólar" para identificar as joias escondidas no meio da lama.
Ranking de Valor (FPS por R$ Investido)
Baseado em dados de mercado de Jan/2026. Quanto maior, melhor.
NVIDIA GeForce RTX 5070: O "Meio-Termo". Com 12GB GDDR7 e barramento de 192-bit, ela ocupa o espaço estranho. Custa cerca de R$ 4.199 a R$ 5.496. É a placa ideal para 1440p High Refresh Rate. Traz Tensor Cores de 5ª geração com 988 AI TOPS, o que a torna decente para criação de conteúdo leve.
NVIDIA GeForce RTX 5060: A polêmica. Com apenas 8GB GDDR7 e barramento de 128-bit, muitos críticos dizem que ela já nasce obsoleta para texturas ultra. Porém, seu consumo de 145W e preço na faixa de R$ 2.490 a tornam imbatível para setups compactos e 1080p competitivo. É a placa que lidera o ranking de valor.
AMD Radeon RX 7600: O guerreiro do orçamento. Por R$ 1.959, você leva 8GB e performance sólida em 1080p. Consome 165W, um pouco mais que a 5060, e perde em Ray Tracing, mas é a porta de entrada mais honesta do mercado atual.
Com os preços das novas RTX 50 e RX 9000 subindo, olhar para trás nunca foi tão inteligente. Muitas dessas placas ainda "tancam" os jogos modernos se você ajustar as configurações.
- GeForce RTX 3060 Ti (12GB/8GB): Uma lenda. Com 4.864 núcleos CUDA e 200W de consumo, ela entrega 60fps em 4K (com ajustes) em jogos como Battlefield 5. O modelo de 12GB da Gainward é citado como um excelente custo-benefício.
- Radeon RX 6800 XT: A XFX Speedster MERC319 é um tanque. 16GB de VRAM GDDR6 e barramento de 256-bit. Ela envelheceu como vinho, rodando 4K a 60fps em títulos AAA antigos como Far Cry 5. Se encontrar uma usada em bom estado, compre sem pensar.
- GeForce RTX 2060: A "Vovó" que ainda luta. Sendo a placa mais barata com suporte oficial a DLSS e Ray Tracing (R$ 1.649), ela é a salvação para quem tem orçamento ultra restrito. Não espere milagres em 2026, mas o DLSS dá uma sobrevida incrível a ela.
- Radeon RX 580: A Imortal. Presente desde 2017. 8GB de VRAM e 2.304 núcleos. Não tem Ray Tracing, não tem tecnologias modernas, mas roda eSports e jogos indie perfeitamente. É a placa de emergência oficial do Brasil.