- Albert Wesker
A gênese do bioterrorismo moderno não ocorre em um laboratório estéril, mas nas profundezas da África Ocidental. Em meados da década de 1960, a expedição liderada por Spencer e Marcus encontrou as ruínas da antiga civilização Ndipaya. O foco da busca era uma lenda local sobre uma flor que concedia poder real: a "Escada para o Sol" (Sonnentreppe).
A flor continha um vírus de RNA retroviral antigo, que viria a ser batizado de Vírus Progenitor. Ao contrário dos vírus comuns que destroem células, o Progenitor tinha a capacidade única de reescrever o DNA do hospedeiro.
O Ritual da Seleção Ndipaya
Os Ndipaya usavam a flor para escolher seus reis. O processo era brutalmente darwinista:
- Ingestão: O candidato comia a flor crua.
- Reação: A maioria sofria morte celular sistêmica imediata (falência de órgãos).
- Ascensão: Em casos raríssimos, o sistema imunológico e genético do hospedeiro se adaptava ao vírus. O resultado não era apenas sobrevivência, mas aumento de massa muscular, inteligência aguçada e longevidade estendida.
Em 4 de Dezembro de 1966, o vírus foi isolado. Contudo, havia um problema logístico: a flor não produzia o vírus fora de seu habitat natural nas cavernas africanas. Isso forçou a Umbrella a dominar a área, expulsando e massacrando os Ndipaya para construir laboratórios no local (visto em Resident Evil 5).
Spencer queria criar uma raça de super-humanos (o Projeto Wesker), mas precisava de fundos. A solução foi militarizar o Progenitor. O problema? O Progenitor era letal demais. Ele matava o hospedeiro antes que ele pudesse ser usado como arma.
James Marcus, obcecado por suas pesquisas e isolado no Centro de Treinamento da Umbrella, fez uma descoberta crucial em 19 de Setembro de 1978. Ele combinou o DNA do Progenitor com o DNA de Sanguessugas.
As sanguessugas conferiram ao vírus características de resistência e simplicidade. O novo T-Vírus (Tyrant Virus) não matava o hospedeiro imediatamente; ele causava necrose cerebral e substituía as funções metabólicas básicas.
O Processo de Zumbificação
O que acontece no corpo de um infectado pelo T-Vírus?
- Estágio Febril: O sistema imunológico tenta combater o vírus, gerando febres extremas e coceira intensa (o famoso "Itchy. Tasty." do Keeper's Diary).
- Necrose Tissular: O vírus mata as células da pele e órgãos não essenciais, dando a aparência apodrecida.
- Substituição Mitocondrial: O vírus reativa o sistema nervoso motor e muscular, permitindo que o corpo se mova sem necessidade de oxigenação sanguínea ou batimentos cardíacos.
- Fome Insaciável: O metabolismo acelerado exige energia constante para manter a replicação viral, resultando no canibalismo instintivo.
O objetivo final do T-Vírus, no entanto, não eram os zumbis (considerados falhas), mas o Tyrant: um humano com DNA compatível (1 em 10 milhões) que, ao ser infectado, manteria a inteligência e ganharia força e tamanho massivos.
Enquanto Marcus brincava com sanguessugas, nos Laboratórios Arklay (A Mansão Spencer), experimentos ainda mais sombrios ocorriam. O arquiteto da mansão, George Trevor, foi morto, e sua esposa (Jessica) e filha (Lisa) foram usadas como cobaias.
Lisa Trevor é, talvez, a figura mais importante e trágica da virologia de Resident Evil. Por décadas, ela foi injetada com todas as cepas virais que a Umbrella produzia. Progenitor, T-Vírus, vírus parasitas... seu corpo não morreu. Ele se adaptou. As cepas competiram dentro dela e se fundiram.
Em 1988, William Birkin descobriu que o sistema imunológico de Lisa havia criado algo novo. Um vírus que não apenas reanimava, mas evoluía o hospedeiro em tempo real. Nascia o G-Vírus (Golgotha).
| Característica | T-Vírus (Tyrant) | G-Vírus (Golgotha) |
|---|---|---|
| Efeito Celular | Necrose e reanimação estática. | Regeneração agressiva e mutação contínua. |
| Reprodução | Contágio por fluídos (mordida). | Implantação de embriões em hospedeiros compatíveis. |
| Resultado Final | Zumbi ou Tyrant (forma fixa). | Monstruosidade assimétrica em constante mudança (G1, G2, G3...). |
| Cura | Vacina (difícil síntese). | Agente DEVIL (apenas em estágios iniciais). |
O ano de 1998 marcou o colapso. A traição de Wesker e Birkin contra Marcus voltou para assombrá-los quando a Sanguessuga Rainha (Queen Leech) reanimou Marcus (Resident Evil 0), que atacou o trem Ecliptic Express.
Simultaneamente, a tentativa da Umbrella de roubar o G-Vírus de Birkin resultou no cientista injetando o vírus em si mesmo. O caos nos esgotos espalhou o T-Vírus através dos ratos, contaminando o suprimento de água da cidade. Em semanas, Raccoon City caiu.
O Fator Nemesis (T-Type)
Para encobrir as provas, a Umbrella Europa enviou o Nemesis. Diferente dos Tyrants comuns, o Nemesis possuía um parasita NE-Alpha implantado no cérebro. Esse parasita agia como um "segundo cérebro", permitindo que a criatura seguisse ordens complexas (como caçar membros específicos dos S.T.A.R.S.) e usasse armamento pesado. O Nemesis representa o ápice da tecnologia T-Vírus.
Enquanto os EUA lidavam com o T e G, na Antártida, Alexia Ashford (neta de Edward Ashford) criou o T-Veronica. Ela combinou o Progenitor com o DNA de formigas rainhas antigas.
A genialidade (e loucura) de Alexia foi perceber que o vírus destruía o cérebro se a mutação fosse rápida demais. A solução? Criosono. Ela se congelou por 15 anos para permitir que o vírus se fundisse ao seu corpo a nível celular lentamente. O resultado foi um controle perfeito sobre o vírus, mantendo sua consciência e ganhando sangue pirocinético (inflamável).
Após a queda da Umbrella em 2003, o mercado negro explodiu. Mas a maior ameaça não veio de um vírus, e sim de um parasita. Encontrado na Espanha rural, o Las Plagas foi desenterrado pelo culto Los Illuminados.
Diferença Fundamental: O Las Plagas não cria zumbis. Ele cria escravos.
- O parasita se aloja no sistema nervoso central.
- O hospedeiro (Ganado) mantém habilidades motoras complexas, fala e capacidade de usar armas.
- Eles operam em uma "mente de colmeia", controlados por um líder que possui a Plaga Mestra (como Osmund Saddler).
Isso mudou a face do bioterrorismo. Não era mais sobre destruição caótica, mas sobre controle preciso de populações.
Albert Wesker, tendo roubado amostras de todos os vírus anteriores (T, G, Veronica, Plagas) e descoberto a localização de Spencer, matou o fundador da Umbrella e assumiu o "Projeto Wesker" para si.
Com a ajuda de Excella Gionne (Tricell), Wesker criou o Uroboros. Ele voltou à fonte original: o Progenitor. O Uroboros era o Progenitor puro, potencializado para ser disperso pelo ar. No entanto, era tóxico demais.
A Chave: Jill Valentine.
Após ser capturada e dada como morta, Jill foi usada como cobaia. Os anticorpos do T-Vírus em seu sangue (adquiridos em Raccoon City e curados por Carlos) mutaram ao longo dos anos. Wesker usou esses anticorpos para estabilizar o Uroboros, tornando-o menos letal na infecção inicial, mas seletivo.
O plano de Wesker era global: lançar o Uroboros na atmosfera. Apenas aqueles com DNA geneticamente superior sobreviveriam e evoluiriam. O resto da humanidade (bilhões) morreria e se tornaria biomassa para o novo mundo. Foi a realização final do sonho eugênico de Spencer.
Embora Wesker tenha morrido em um vulcão, seu legado permaneceu. O C-Vírus (usado em 2013 na China e EUA) combinou o T-Veronica com o G-Vírus, criando criaturas que podiam se regenerar e sofrer metamorfoses (Chrysalid). Mais recentemente, a conexão com o Mofo (Mutamycete) na Europa Oriental revelou que fungos antigos também possuem capacidades de armazenamento de consciência, algo que a Umbrella mal arranhou a superfície.