Êxodo da Microsoft e a "Teoria de Doom"
A história começa nos anos 90. Gabe Newell e Mike Harrington eram "Microsoft Millionaires" — veteranos que ajudaram a construir o Windows. Mas Gabe estava inquieto.
Ele notou um dado estatístico perturbador em 1993: o jogo DOOM estava instalado em mais computadores nos EUA do que o próprio Windows 3.1. Isso provava que o software de entretenimento era o verdadeiro "killer app" do PC.
Eles fundaram a Valve em 1996 com uma missão clara: criar jogos que fossem experiências imersivas, não apenas "tiroteio". Para isso, licenciaram a Quake Engine e reescreveram 70% do código, criando a GoldSrc.
Half-Life: O jogo que mudou tudo (1998)
Half-Life introduziu narrativa em tempo real. Não havia "cutscenes". Você era Gordon Freeman. O jogo foi um sucesso, mas o verdadeiro golpe de mestre foi permitir que a comunidade criasse modificações (Mods).
Em 1999, dois estudantes criaram um mod tático chamado Counter-Strike. O sucesso foi viral. A Valve, em vez de processá-los, os contratou.
"A filosofia da Valve sempre foi: se a comunidade faz algo melhor que nós, traga-os para dentro. Team Fortress, Day of Defeat, Portal, Dota 2... quase todas as grandes franquias da Valve nasceram de mods."
O nascimento doloroso do Steam (2002-2004)
Com milhões de jogadores, a Valve enfrentava cheaters e dificuldade de atualização. A solução foi o Steam. Anunciado em 2002, a ideia era revolucionária: uma plataforma de entrega digital.
O dia que a Internet Parou
Em 12 de setembro de 2003, o Steam foi lançado. Foi um desastre. A interface era lenta e os servidores derreteram. Quando a Valve tornou o Steam obrigatório para Half-Life 2 em 2004, o ódio foi palpável. Foi uma aposta de "vida ou morte" que, eventualmente, pagou a conta.
Hardware: Do fracasso ao triunfo
A relação da Valve com o hardware é uma história de "tentativa e erro".
O Futuro: Lepton e a fronteira Android
Agora, em 2025, os olhares se voltam para o projeto Lepton. Vazamentos indicam que a Valve está integrando containers de Android diretamente no SteamOS.
O objetivo é permitir que o Steam Deck rode nativamente o catálogo infinito de jogos mobile (Genshin Impact, CoD Mobile), posicionando-o como o dispositivo universal de jogos.
Conclusão: O império benevolente?
Hoje, a Valve enfrenta a Epic Games Store, mas raramente responde. Eles sabem que o Steam oferece algo que o dinheiro não compra rápido: comunidade.
Se Gabe Newell é o "lorde", o Steam é o seu feudo — e, goste ou não, todos nós pagamos o dízimo felizes a cada Summer Sale.